Loucura Amor é na Psicanálise

Por Rodrigo Pedalini – Turma 2017

Perdoem-me pelo pobre mas inevitável jogo de significantes que intitula o texto que abaixo se incorpora.

Convidado a escrever em eco ao que vi e ouvi das XXV Jornadas Clínicas da Escola Brasileira de Psicanálise Seção Rio e do Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro (10 e 11 de novembro de 2017), estou aqui olhando para o folder de programação da Jornada, para seu logotipo e pensando que a palavra Amor,escrita entre Loucura e Psicanálise, provocou em mim algumas elucubrações. Primeiro que, assim como inscrito, o amor foi o ponto central da Jornada. Eram sorrisos, agradecimentos, elogios, pontuações, declarações e demonstrações diversas de amor. Do amor que impulsionou o trabalho, a produção e a perseverança de cada um dos participantes até então. Era como se todo o amor acumulado, motor do trabalho realizado durante meses, estivesse sendo declarado apaixonado nesses dois dias. Recebemos até mesmo um generoso presente, com o relato do que foi passado da Analista de Escola Maria Josefina Fuentes. Foi, no entanto, quando falou Pepita que nos ficou claro que o que se passava naquele momento era, mais que um relato, uma declaração de amor à psicanálise e à Escola.

“Traduttore — Traditore!”

Também e além, ocorre-me que estar com Lacan é estar no campo de uma outra linguagem. Participar como ouvinte das referidas Jornadas Clinicas foi, em dado momento e talvez com algum exagero figurativo, como participar do Oitavo Congresso da Academia Sueca de Letras, sem tradução simultânea. Foi dar-me conta que “aprender” Lacan (e aqui uso esse significante com a absoluta certeza de sua insuficiência no que se refere ao ensino de Lacan) é aprender uma outra língua e, ainda que não queira entrar aqui no campo teórico do Outro com sua linguagem, é dar-me conta de que não há tradução capaz de traduzir Lacan (tivemos até mesmo um momento de tradução de espanhol para espanhol! – os ouvidos atentos puderam perceber).

Mas… quem sabe o amor. O Amor é capaz de traduzir (e trair) a Loucura de Lacan em Psicanálise. Aí se faz transmissão.

Nota: Para quem não notou, Freud esteve lá e quis deixar presentes também: Os chistes – um de seus exemplos marca a segunda parte desse texto- estavam presentes em todas as mesas e eixos, e posso dizer que pude rir bastante (mesmo antes de beber). O ato falho Barcelona-Madri estava ótimo! O sonho, talvez o tenha acabado de relatar.

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