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Assuntos de família no discurso toxicômano: impasses

XVIII Conversação Clínica do IPSM-MG e Conversação TyA Brasil

Resenha do evento ocorrido em 27 de maio de 2017.

Selma Pau Brasil

Na abertura da conversação, Ana Lydia – Diretora do IPSM-MG – informa que foi selado um intercâmbio entre o Instituto, a FEMIG e o Instituto de Córdoba, aprofundando assim a troca entre eles.

Em seguida, aconteceu a “Apresentação de pacientes”, conduzida por Lilany Pacheco e realizada no Centro Mineiro de Toxicomania, que propiciou a discussão clínica do caso em questão e, também, os efeitos dessa transmissão na equipe, assim como os efeitos terapêuticos ocorridos no caso após essa entrevista. A Apresentação de pacientes contou, também, com a presença de quem conduz o caso no CMT, ampliando, dessa forma, a discussão do caso. Contou-se, também, com os comentários de Jorge Castilho, do CIEC de Córdoba, Cassandra Dias Farias, da TYA Paraíba e com a coordenação de Maria Wilma Faria, coordenadora da TYA Brasil.

Após a Apresentação de pacientes, Jesus Santiago comentou a edição revisada de seu livro “A droga do toxicômano: uma parceria cínica na era da ciência”, uma publicação da Coleção BIP, da Biblioteca do Instituto de Psicanálise. Seguido de um coquetel e autógrafos embalados pela banda de jazz chamada “Quatro em ponto”.

Depois do lançamento do livro, aconteceu um delicioso almoço para os participantes do evento e, então, iniciou-se a Conversação Tya Brasil com Daniela Dinard, diretora do CMT; Adriana de Vitta, diretora do Freud Cidadão, e Selma Pau Brasil, da TyA Rio, em que foram discutidos muitos dos impasses sobre os assuntos de família no discurso toxicômano, com grande entusiasmo de todos os participantes. O evento lotou o auditório, necessitando utilizar a transmissão em outra sala.

Foi um evento extremamente interessante e produtivo e promotor de um amplo debate de questões muito importantes para a clínica lacaniana.

 

 

TOXICOMANIAS E ALCOOLISMO (TyA-Rio)

Coordenação: Ana Martha Wilson Maia e Selma Pau Brasil

Periodicidade e horário: Primeiras e terceiras terças-feiras do mês, às 19h30

Início: 21 de março

Seguindo a direção da rede Una do TyA Brasil, o Núcleo de Pesquisas  organizou o Programa em torno do tema das psicoses ordinárias, visando a relação do corpo falante com as toxicomanias e alcoolismos.

Conversações com os Núcleos que constituem a rede serão realizadas para avançarmos na pesquisa e estreitarmos laços de trabalho.

Nosso primeiro encontro deste ano será no dia 21 de março.

Até lá!

Ana Martha Wilson Maia e Selma Pau Brasil

Bibliografia inicial:

MILLER, JA. La psicosis ordinária. Buenos Aires: Paidós. 2006.

BRODSKY, G. Loucuras discretas: um seminário sobre as chamadas psicoses ordinárias. Belo Horizonte: Scriptum Livros. 2011.

Pharmakon Online, vol 2. Especificidade da Toxicomania. Rede TyA Brasil do Campo Freudiano. Novembro/2016.

ZAPATA, EF. Usos del cuerpo en las toxicomanías en la época del parlêtre – un ejercicio epistémico. Buenos Aires: Grama Ediciones. 2016.

Nota sobre o Núcleo de Toxicomanias e Alcoolismo

Por Ana Martha Wilson Maia

“Sozinhos e intoxicados” é o tema do II Colóquio TyA que será realizado em São Paulo, por ocasião do próximo Encontro Brasileiro do Campo Freudiano. Seguindo nesta direção, o Núcleo de Toxicomanias e Alcoolismo organizou o Programa de pesquisa para trabalhar em torno dos conceitos/termos de solidão, solitude e parceria.

Iniciamos com dois textos de Miquel Bassols, muito orientadores para delimitarmos o campo “conceitual” da solidão. No primeiro, Bassols (1994) lança a pergunta se podemos estabelecer uma clínica diferencial da solidão, a partir da neurose, da perversão e psicose. Deste texto, concluímos uma solidão generalizada para todo ser falante.

O segundo texto aborda a solidão na experiência de enclausuramento da monja Sor María, do Mosteiro de Santa Catalina, em Buenos Aires. María concedeu uma entrevista inédita a um colega da EOL que foi exibida durante as XXIV Jornadas Anuales da EOL do ano passado, cujo tema foi “Solos y solas”. Bassols (2015) esteve presente e publicou um texto do qual extraímos uma referência conceitual que contribui para pensarmos sobre a zona de extimidade do gozo do Outro, se este existisse, “mais além do falo e de seus véus”(Bassols), sobre “a solidão como meio” e a “certeza” (María), que nos levou a comentar sobre a certeza do gozo obtido pela droga.

Nas palavras de Bassols, “Há outra solidão que não é um meio, mas tampouco não é um fim. Ou, se me permitem dizê-lo assim, há uma solidão que é “um meio sem fim”, um meio infinito, um espaço de solidão que não tem bordas, nem limites.”

Que relação tem o ser falante com este modo de estar na solidão, intoxicado? – é uma das questões que formulamos. Pensando nas adições, sabemos que a sociedade contemporânea oferece múltiplas formas de parcerias e que as toxicomanias, assim como a virtualidade, são uma solidão de época.

Bassols estabelece três formas de abordagem da solidão: a solidão que se auto-abastece na esfera imaginária do eu consigo mesmo; a solidão que se abre ao Outro do simbólico (o sujeito está sozinho com a linguagem, acompanhado com o Outro da linguagem); e a solidão frente a uma falta real, uma solidão sem fim, em que o Outro tem a estrutura de um Toro. Ele diz: “ante o buraco do Outro, há uma solidão irredutível, é a solidão do gozo do Um, sem representação possível”. É a solidão do gozo acéfalo da pulsão sem Outro.

A solidão do gozo do Um é formalizada por Lacan a partir dos anos 70 e atualmente referencia o trabalho do Campo Freudiano sobre o corpo falante. Com o declínio do patriarcado, Lacan destaca a inexistência do Outro e o gozo do Um. A partir daí, podemos pensar a solidão estrutural pela via da relação sexual que não existe. O Um é homólogo à solidão estrutural. Assim, cada um faz uma coisa com esta solidão do Um para viver, o que nos traz a questão do destino que o toxicômano deu a seu gozo solitário.

Gozo do auto-erotismo. Solidão do Um. Autismo nativo. Estamos refinando os conceitos em nossa pesquisa, articulando-os à Teoria do Parceiro (2000), de Miller, como também ao curso El partenaire-síntoma (2008), tendo em vista a parceria do corpo falante com a droga.

BASSOLS, Miquel. (1994) Soledades y estruturas clínicas. Revista Freudiana – Lazos y soledades: toxicoman. ELP. Paidós, nº.12. 1994

BASSOLS, Miquel. (2015) Soledades II. Desescrits. Disponivel em http://miquelbassols.blogspot.com.br

Miller, J-A. Os circuitos do desejo na vida e na análise. Rio de Janeiro: Contra Capa. 2000.

Miller, J-A. El partenaire-síntoma. Buenos Aires: Paidós. 2008.
Pharmakon Digital. Rede TyA do Campo Freudiano. Edição 01. 2015

Programa de 2016.1

Coordenação: Selma Pau Brasil (selmabrasil@gmail.com) e Ana Martha Wilson Maia (anamarthamaia@gmail.com)
Horário: primeiras e terceiras terças-feiras do mês, às 19h30
Início: 01 de março de 2016

Freud relaciona a solidão ao desamparo primordial, à perda do objeto e à angústia. Com Lacan, para além do objeto causa de desejo, quando o Outro já não mais existe, a solidão é efeito do trauma da linguagem que deixa marca no corpo. “Quem fala só tem a ver com a solidão” – diz ele, no Seminário 20, enfatizando o gozo do Um. Miller se refere a este gozo autista da solidão estrutural como gozo nativo.

A solidão e as toxicomanias constituem o tema do próximo encontro do TyA. É nessa direção que trabalharemos em 2016, articulando em nossa pesquisa estes dois sintomas da época: a solidão globalizada e a toxicomania generalizada. Buscaremos, assim, circunscrever que função a droga desempenha para o corpo falante, na solidão de seu gozo.

Bibliografia inicial:

BASSOLS, Miquel. Soledades y estruturas clínicas. Revista Freudiana – Lazos y soledades: toxicoman. ELP. Paidós, nº.12. 1994

BASSOLS, Miquel. Soledades II. Desescrits. Disponível em http://miquelbassols.blogspot.com.br
Pharmakon Digital. Rede TyA do Campo Freudiano. Edição 01. 2015.